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Quando Douglas Adams imaginou a Internet, em 1990

No documentário Hyperland, Adams fantasiou sobre um mundo digital interconectado, algo que chamamos hoje de Internet

Quando Douglas Adams imaginou a Internet, em 1990

Imaginar a Internet de hoje, trinta anos atrás, era algo digno de ficção científica – algo que autores do gênero fizeram, incluindo Douglas Adams.

Após criar o supercomputador que daria a resposta para a vida, o Universo e tudo mais (42, se você não sabe), o escritor fantasiou sobre como seria um mundo digital interconectado.

No documentário de fantasia Hyperland, Adams interpreta ele mesmo, e está cansado da falta de interatividade da TV e sua programação linear.

Ao pegar no sono à beira da lareira, ele embarca em um sonho onde encontra um mordomo de software interpretado por Tom Baker, astro de Doctor Who, que o levará ao mundo da hipermídia.

“Tenho a honra de fornecer acesso instantâneo a todas as informações armazenadas digitalmente em qualquer lugar do mundo”, diz Tom. “Qualquer imagem ou filme, qualquer som, qualquer livro, qualquer estatística, qualquer fato – qualquer conexão entre qualquer coisa que você queira pensar”.

No filme, Adams debate conceitos teóricos sobre a tecnologia. Como o ambicioso projeto Xanadu, do filósofo Theodor Nelson, um precursor da web que conhecemos hoje.

A narrativa também viaja pelo futuro da tecnologia, abordando a ideia da transmissão ao vivo, realidade virtual e inteligência artificial.

Naquela época, Hyperland fez milhares de jovens que jamais imaginariam a Internet de hoje sonharem com um mundo virtual de alta interatividade, de hipermídia e que contivesse todo o conhecimento do universo dentro de si.

“Enquanto Douglas criava a Hyperland”, diz seu site oficial, “um estudante do CERN na Suíça estava trabalhando em um pequeno projeto de hipertexto que ele chamou de World Wide Web”.

Em agosto de 1991, o primeiro servidor web foi disponibilizado ao público pelo cientista da computação Tim Berners-Lee.

O sistema apresentado em Hyperland é baseado especialmente em vídeos, se aproximando mais de uma expressão de amor de Adams pelos CD-ROMs interativos.

Embora muitos dos conceitos do filme tenham ficado no mundo das ideias, é interessante vê-lo como mais uma abordagem cultural do autor para fazer jovens pensarem fora da caixa e sonharem com um futuro onde a tecnologia transformaria as relações humanas.

“Douglas Adams acreditava nas ofertas positivas do progresso científico e tecnológico. Com certa ironia, ele disse que muitas vezes estávamos com medo de algo novo, porque sempre aceitávamos o que sabíamos desde a juventude como um padrão de julgamento.”, segundo o site do autor.

Adams sempre foi engajado no mundo da tecnologia, uma área que ele explorava muito além dos conceitos em seus livros.

Além de Co-fundador da companhia The Digital Village, Adams lançou, em 1984, um jogo de computador baseado no Guia do Mochileiro das Galáxias, em parceria com Steve Merertzky para a Infocom. Também trabalhou em uma versão em CD-ROM de seu livro “Last Chance to See”.

Adepto do neodarwinismo e amigo do biólogo Richard Dawkins, desde os anos 80 Adams era frequentemente convidado para reuniões de ciência e tecnologia. “Existe um Deus Artificial” é o seu discurso mais famoso, apresentado em um evento na universidade de Cambridge, em 1998.

Na série de 4 episódios “Hitch-Hiker’s Guide To The Future” para a BBC, o escritor também levantou várias reflexões acerca do impacto da tecnologia no futuro, dentre elas: “livros eletrônicos levarão à queda dos livros impressos tradicionais? MIDI e MP3 trarão algo de novo para a música? A televisão e o cinema interativos permitirão que todos se tornem seus próprios cineastas? O homem será vencido por suas próprias tecnologias levadas ao extremo?

Apesar de sua morte prematura, Adams, que sonhava com um “guia” que pudesse conter e conectar todo o conhecimento do universo, viveu o suficiente para ver que algo parecido pudesse se tornar realidade.


Leia também: Quando Isaac Asimov brincou de prever 2019 e acertou

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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