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5 coisas para aprender com O Túmulo dos Vagalumes

Animação mostra o outro lado da guerra e nos lembra de como podemos lidar com o outro em tempos de falta de esperança

O Túmulo dos Vagalumes (1988) é um dos filmes mais belos e tristes de todos os tempos. A animação do Studio Ghibli, dirigida por Isao Tahaka, conta a história de dois irmãos tentando sobreviver aos últimos meses da Segunda Guerra Mundial.

Sem apelar para o melodrama, a animação mostra um relato cru da realidade. E é isso que emociona.

Ambientada no Japão Imperial, a narrativa traz uma nova perspectiva sobre a Segunda Guerra, focando nos estragos causados nas vidas dos civis da cidade de Kobe.

Além dos abalos em suas estruturas, como trabalho, casa e escola, o filme mostra especialmente como os períodos de guerra podem afetar profundamente o interior das pessoas, e a maneira como elas se relacionam uns com os outros.

É impressionante como uma animação consegue nos atingir em cheio e nos marcar para sempre, como muitos filmes não fazem.

E, principalmente, como os personagens animados conseguem expressar tantas emoções em suas feições e criar em nós tanto afeto e empatia.

Dito isto, eu posso afirmar com tranquilidade que O Túmulo dos Vagalumes vai ficar com você para sempre. E tem muitas lições que podemos aplicar na vida com seu enredo genial.

5 coisas para se aprender com O Túmulo dos Vagalumes
5 coisas para se aprender com O Túmulo dos Vagalumes

1 – Os tempos difíceis podem tornar as pessoas mais frias

A animação mostra que, longe dos campos de batalha, os civis de uma nação também enfrentam uma guerra entre si. Os irmãos Seita e Setsuko representam a sobrevivência dos órfãos da guerra em meio a perdas de suas estruturas e o desamparo. Isso é muito forte.

Quando eles perdem a mãe, casa, trabalho e escola, vão morar com uma tia distante. A mulher rígida, apesar de abriga-los por um tempo, não demonstra empatia pela situação deles. Porque precisa também sobreviver durante a escassez de recursos básicos: comida.

O dinheiro que a mãe das crianças tinha guardado no banco de nada serve quando não há o que comprar. A comida é o maior bem que se pode ter. E não há nada que possa ser trocado por isso.

Enquanto sua irmã fica doente, ninguém parece de fato se importar. Já que é comum andar pelas ruas e poder, a qualquer momento, ser bombardeado. Além de ver inúmeros corpos incinerados pelas bombas.

O horror se torna algo recorrente. E comum.

É angustiante ver como ninguém se surpreende mais com a morte. Nem o médico que atende Setsuko. Nem o homem da fazenda que recusa vegetais à Seita.

Ninguém tem mais nada para compartilhar.

Nem a empatia.

2 – Criatividade é sobrevivência

Quando os irmãos são despejados da casa da tia, se encontram na situação desoladora não terem realmente para onde ir. Nem ninguém para contar. Só restaram escombros da casa de Seita.

O menino então busca uma alternativa de esperança em meio a rigidez e desolamento dos tempos.

Ele e Setsuko encontram um abrigo na beira do rio que serve perfeitamente como proteção dos bombardeios e como casa. Com apenas alguns utensílios, tudo pode virar um castelo se você tem criatividade.

E esse é o bem maior que eles carregam.

A maneira como juntos eles compartilham a criatividade, que funciona como força motriz para a sobrevivência, especialmente exaltada pela inocência de Setsuko e seu olhar infantil sobre a realidade, permitem que eles encontrem saídas realmente geniais para vencer a pobreza e desamparo.

Ainda que o corpo humano possa exigir muito mais que isso em algum momento.

3 – Lealdade e cumplicidade para enfrentar as adversidades

É isso que emociona no filme. Como os dois irmãos estreitam seus laços e encontram um no outro a força para se reerguer diante das dificuldades.

Juntos, eles constroem uma arma poderosíssima contra o egoísmo e individualismo que a guerra criou.

Um contraste muito forte nas relações frias e distantes que as pessoas estabeleceram umas com as outras, de maneira equivocada, como instinto de sobrevivência.

4 – Uma vida só tem valor com uma narrativa por trás

O enredo começa com a morte de Seita na estação de trem. Não se sabe o que o levou à este fim trágico. Qualquer um que passa por ali não pergunta se o homem precisa de alguma coisa. Apenas deixa um comentário de desdém e preconceituoso.

Um dos funcionários que o encontra morto no fim da noite, conclui friamente: mais um deles.

O corpo do homem destituído de identidade que só tem nas mãos uma latinha de balas de frutas – elemento no qual a narrativa se desenvolve, e mostra como “só mais um corpo” foi, na verdade, uma pessoa.

Com medo, fome, amor, vontades e… uma história.

5 – Juntos, resistimos. Separados, caímos

Essa é uma das mensagens mais fortes que a narrativa carrega. São os últimos meses da Guerra. Os alimentos estão racionados. As pessoas estão desoladas. Muita gente já não tem para onde ir. Muitos familiares morreram em bombardeios e seus corpos formaram grandes fogueiras em sepultamentos coletivos.

Não há ninguém que possa estender as mãos para outra pessoa. Não há o que possa ser compartilhado. Será? Nem um ato de gentileza. Nem um sorriso. Nem um pedacinho de comida.

É preciso sobreviver. Mas como?

Essa reflexão pode ser carregada para tempos além da guerra. Pobreza. Desemprego. Crise política e econômica de um país. Intrigas familiares. Preconceito. Polarização política.

Se nenhum outro animal sobrevive sozinho, por que nós poderíamos?

Será que se a gente se juntar aqui e ali, não dá para criar um esforço coletivo onde todo mundo sai ganhando, pelo menos um pouco? Conseguir olhar para além de si não é um ato gratificante para ambos os lados?

O Túmulo dos Vagalumes, além de nos fazer enxergar uma história diferente sobre a guerra, também nos coloca diante de uma responsabilidade de como podemos lidar com o outro em tempos difíceis para a esperança.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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