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The Last of Us – Episódio 8 | Crítica: Abalo Sísmico

The Last of Us

Quando pensamos no conceito de que The Last of Us é baseado em um jogo que lançou há dez anos e, caso os gamers não tenham jogado, muitos sabem muito bem onde essa história vai parar. Mesmo aproveitando para tirar o pó da minha versão de PS4 para relembrar, eu já sei bem como isso termina – assim como acredito que milhões no planeta, tendo experimentado isso ou não.

Ainda assim, com o perdão do palavrão logo cedo aos mais puritanos e aos editores-chefes deste site: C@r%*ho! Sendo bem sincero, eu não esperava que fossem seguir pelo caminho mais difícil e trazer não apenas um baita de um episódio, mas também elevar o nível de atuação em apenas 50 minutos de sua exibição. Eu estava encantado com o material apresentado até agora, mas o que vi na última noite na HBO Max me deixou completamente em choque.

Muito disso se deve ao trabalho de Bella Ramsay. Podem se rasgar reclamando da atriz, da escolha da produção e de tudo mais, no entanto ela não só mostra que é competente para o papel de Ellie como sua atuação merece figurar entre as melhores do próximo Emmy como Melhor Atriz. Ouso dizer que merece até ganhar, mas ainda estamos em março e têm muitas coisas para vir por aí até o fim do ano. O que ela mostrou aqui com a pouca idade que carrega passa do surreal, se tornando um momento emblemático até para quem está acostumado com a brutalidade vista nos games de PlayStation.

Não confie em heróis

O elenco de The Last of Us

Vemos em The Last of Us que a personagem ainda tenta cuidar de Joel, tentando mantê-lo vivo enquanto reflete no que tem de fazer. Isso a coloca no caminho de David, um líder de comunidade de sobreviventes que esconde um grande segredo das pessoas ao seu redor. Nem preciso dizer que tudo isso leva a uma montanha-russa de eventos sinistros e que levam todos ao seu limite, não deixando espaço nem para respirar da tensão causada ao longo de sua duração.

E este clima é acompanhado desde o princípio, mostrando que as coisas não serão nada fáceis para nenhum dos personagens. A partir deste ponto, vemos a atuação de cada um deles brilhar ao máximo. Pedro Pascal como alguém tentando sobreviver a todo custo, Scott Shepard como David também auxiliou o seriado a chegar em seu ápice e nem preciso comentar a participação mais do que especial de Troy Baker, não é? Porém, podemos discutir aqui por quanto tempo for, mas o episódio foi todo de Bella Ramsay.

Ellie é o principal motor deste capítulo, mostrando ela pela primeira vez realmente tentando lutar por sua própria vida. Ainda que o Episódio 7 tenha sido focado em seu passado, infelizmente é sob pressão e vendo seu mundo cair que ela realmente brilha. E não poupam a jovem de sufocos, mostrando que a capacidade de atuação da pequena está em um patamar que surpreende e choca de forma simultânea. A forma como a brutalidade deste mundo a impacta fica ainda mais claro, revelando que o futuro pode não reservar algo bom para nenhum destes personagens.

Troy Baker faz uma participação mais do que especial na série também

Enquanto The Last of Us se preocupou até este momento de contar uma história não apenas sobre o Cordyceps e os sobreviventes, toda essa preparação nos levou para um momento de pura brutalidade e sobrevivência. Eu sei que este é um “roteiro velho” e vimos coisas assim já em The Walking Dead e outras obras de pós-apocalipse. Porém, temos de admitir que nenhuma com este elenco absurdamente forte e com um script que não teme a plataforma ou reação do público para entregar a história que precisa chegar até o público.

Se você tirar os enquadramentos perfeitos da câmera, o cenário convincente, os detalhes que se escondem dentro de cada cena e deixasse apenas os atores replicando as suas falas – ainda assim, seria algo incrível de ser visto. A HBO sabe que está conquistando um patamar tão grande quanto aquele que viu no momento que teve Game of Thrones em sua mão. Craig Mazin e Neil Druckmann também sabem que ficarão marcados com um selo de qualidade no mercado de adaptações de jogos para o live-action. Porém, nada disso seria o que é sem a atuação espetacular que obtiveram. E isso merece ser reconhecido.

A partir daqui, Bella Ramsay só brilhou

Outro nível de adaptação

Enquanto os atores merecem todos os louvores deste episódio, um outro fator que impacta é as jogadas de câmera que se aproximam demais da experiência que o público tem nos videogames. As perseguições, os movimentos de ataque, todos os conceitos foram levados com excelência para as telinhas. Isso sem falar do take cinematográfico ao fim do capítulo, qual não direi para evitar que leve spoilers antes de assistir. Ali a produção foi mágica, para dizer o mínimo.

Depois de um episódio destes, pode anotar que será ainda mais difícil vermos obras de games atingirem um nível que The Last of Us está chegando. É de uma complexidade sem tamanho adaptar algo assim, por mais que Sonic: O Filme e Detetive Pikachu tenham chegado bem próximo dos fãs. Eu ainda curti o que assisti em Halo, mas a obra da Naughty Dog tem deixado muito claro qual será a produção que continuará sendo discutida por anos. Está aí a importância de aproximar as coisas, como o showrunner fez trazendo Neil Druckmann para cuidar dos detalhes que chegariam ao seu próprio público.

Será ainda mais difícil vermos adaptações de qualidade daqui em diante

Se temos nos videogames algo especial, a cobrança é ainda maior para trazer algo competente na televisão que surja disso. Vale lembrar que recentemente tivemos uma tentativa de trazer Mortal Kombat e Uncharted aos cinemas, que não chegaram nem perto de trazer esse tipo de discussões à tona. Enquanto isso, eles vem mostrando a cada capítulo que estão prontos para elevar o padrão e não apenas ser uma adaptação de qualidade, mas uma série pronta para qualquer pessoa assistir e se entreter.

Infelizmente, só teremos mais uma semana para nos surpreendermos com Pedro Pascal e Bella Ramsay como Joel e Ellie. Com as expectativas altas depois de um episódio como este oitavo, nada vai impedir o caminho para trazer um season finale digno do que vimos originalmente no universo dos jogos eletrônicos. Se o título marcou o fim do PlayStation 3 em 2013 e trouxe um grande impacto para a indústria de games, é o que veremos acontecer novamente no próximo domingo na TV também. Estejam prontos, porque as emoções serão ainda maiores.

The Last of Us está sendo exibido todos os domingos a partir das 23h na HBO Max. Veja mais em Críticas de Séries!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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