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Destroy All Humans! | Review: o apocalipse verde

Está pronto para invadir o planeta Terra e destruir tudo?

Destroy All Humans

Os terráqueos vivem de forma pacata e mal desconfiam que Destroy All Humans! já está entre eles e aprontando todas. Seja abduzindo diversos alvos, controlando mentalmente os humanos para fazerem tarefas simples ou apenas plantando o caos por cima do telhado das pessoas, o objetivo do pequeno alien é único: eliminar a nossa espécie do planeta e dominar o território para si.

Apesar de ser divulgado e vendido como uma remasterização, a aventura seria mais bem-definida como um remake. Há, além de uma missão inédita que não existia no material original, um trabalho completo da equipe de produção para trazer a jogabilidade e recursos para as atuais gerações. Eles não apenas renovam o cenário, como tornam a experiência ainda mais aprimorada conforme avança nas fases.

Apronte muita confusão, mas cuidado para não ser atingido

Aliens são livres para se divertir

O que mais deixa as coisas interessantes é que o título te dá uma liberdade que muitas vezes não temos nos games atuais. Agindo semelhante aos jogos da Rockstar, em Destroy All Humans! você pode executar a sua missão da forma como achar melhor. Quer agir furtivamente e não correr riscos? Claro que dá. Prefere pegar sua nave e sair destruindo tudo no caminho e causando a maior confusão? Você também pode fazer isso. Posso te dar vários motivos para comprá-lo, mas este é o principal.

Obviamente que esta liberdade é limitada, seja pelo tamanho do mapa quanto pelas autoridades locais. Se você chamar atenção o suficiente, vários veículos do governo vão aparecer dispostos a te levar para a Área 51. E por mais que isso não seja tão recomendável, a diversão maior é justamente essa: se acontecer, destrua tudo, jogue o que puder neles, use sua nave para provocar uma confusão digna de sair como manchete nos jornais no dia seguinte. Aqui deixamos o nosso aviso: quanto mais pudores você tiver, menos vai se divertir.

Como não se divertir abduzindo coisas ou as jogando longe?

Pode parecer bobo falar dessa forma, mas Destroy All Humans! carrega consigo o que havia de melhor na época na qual foi concebido. Em 2005 não havia ainda essa preocupação de entregar as melhores histórias e gráficos já vistos na indústria, nem densidade nas tramas. Tudo era jogado de forma direta e escrachada, com aquele toque duvidoso de humor que hoje renderia inúmeras críticas no Twitter. A única preocupação do time de desenvolvimento é entregar um enredo que se sustente e te divirta no processo de chegar ao fim dele.

E como diverte, viu? Além de várias skins diferentes para o nosso alien favorito, você tem diversas técnicas para subjugar a nossa espécie. Desde o uso da pistola laser até a telecinese, cada jogador encontrará uma forma mais confortável de provocar o caos, não se preocupe. O que realmente incomoda e vai te tirar do sério é o sistema de miras, esse sim vai atrapalhar a sua invasão como inimigo algum conseguiria.

Feito sob medida para quem sente necessidade por destruir tudo

As reflexões de Destroy All Humans!

Imagina estar alvejando um humano, que é o seu alvo principal da missão, e subitamente o raio que estava planejando que o aniquilasse acertasse a pessoa que passou atrás dele. Isso o deixa alerta e o faz sair correndo e a cada segundo que você tenta reverter isso, mais risco leva de confrontar hordas de oponentes até a falha daquele trecho por completo. Isso é costumeiro, por mais ridículo que isso pareça.

Um trabalho que foi tão bem-feito pela THQ Nordic em Destroy All Humans! não é estragado por isso, mas é inegável que terão fases onde pensará se aquilo realmente está sendo divertido ou se te incomodou mais. Algumas pessoas também podem afirmar que o sistema de escolhas é de certa forma raso, não estando erradas sobre isso. Porém, o foco dele não é este de qualquer modo e independente se há relevância ou não nelas, o recurso existe de forma tímida para aprofundar um pouco mais.

A mira é horrível e você vai penar para acertar quem deseja

O importante mesmo se manteve intacto com a ação do tempo: as críticas à nossa sociedade e ao governo, como nossos costumes soavam nos anos 60 e 70, o uso de estereótipos para mostrar que não mudamos tanto assim de lá para cá quanto pensávamos e da necessidade de vir um extraterrestre tentando nos eliminar para nos fazer pensar em coisas que não refletimos naturalmente. Até o negacionismo dá o ar da graça por aqui, mostrando essa fragilidade da sociedade que é vista há décadas atrás.

Em termos simples, Destroy All Humans! foi trazido para você curtir e relaxar, te entregando um gameplay muito consistente, mapas bacanas e um humor ácido que te provocará algumas risadas. Além disso, se você observar bem, há uma crítica bem acirrada da forma como vivemos e em como estaríamos se uma invasão acontecesse em nossa realidade. Alguém teria dúvidas de que veríamos alguma autoridade nas redes sociais falando que isso de alienígenas é apenas invenção da mídia enquanto naves passam pela nossa janela atacando tudo?

Recomendadíssimo se você jogou o antigo, principalmente por contar também com materiais adicionais. Se você não jogou, é quase obrigatório para ter em mãos algo de qualidade e que traz os sentimentos que os games daquela época causavam. Se você deseja apenas completar as missões ou explorar tudo, vale a pena demais passar um tempo nessa nave espacial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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