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O filme Come True explicado (e suas homenagens ao Horror e Sci-Fi)

Uma história digna de Phillip K. Dick, com toques de David Cronenberg

O filme Come True (2020) é uma magnífica surpresa do diretor e roteirista Anthony Scott Burns. Especialmente para aqueles, como nós, que idolatram os gêneros de Sci-Fi e Horror nos filmes.

Nesta matéria, vamos discorrer sobre um pouco do que este filme tem a oferecer, e falar sobre as diversas referências e homenagens que este filme traz de livros e clássicos do cinema que correspondem a esses gêneros.

Além do fato de que os próprios personagens e a história em si são uma homenagem a tudo isso.

Vamos começar a falar sobre as referências que o filme traz. E por fim, comentaremos sobre a história em si e o seu final explode cabeças. Mas não se preocupe, a gente avisa quando for falar de algum spoiler. Assim, se você não quiser saber ou não assistiu, pode parar por ali.

Vamos lá?

Sobre o quê é este filme?

Bem, para dar uma introdução básica do que esperar deste filme, a gente pode classificar ele como um filme de horror e ficção científica.

Conta a história de uma garota chamada Sarah que têm problemas ao dormir. Mais especificamente, ela tem alguns sonhos estranhos, ou pesadelos, que atormentam o dia a dia dela. Para tentar descobrir o que causa isso, ela entra em um estudo realizado por cientistas, que monitoram o sono de algumas pessoas.

A partir daí, as coisas começam a ficar um pouco mais estranhas, nebulosas. O filme se desenrola com cenas obscuras de pesadelos, uma história digna de Sci-Fi de primeira e inclusive traz uma trilha sonora eletrizante que cria toda uma atmosfera profunda e até lúdica.

Em meio disso, temos diversas referências a grandes mestres, personagens e obras da cultura pop, como você pode ver abaixo.

As muitas referências que o filme Come True traz

Phillip K. Dick

Não há ninguém mais homenageado neste filme do que o escritor Phillip K. Dick. Considerado um dos grandes autores da ficção científica da história, ele é citado de forma bem direta no filme, quando Sarah está na biblioteca e pega um livro dele.

Este livro é o “We can Remember it for You Wholesale”, que traz o nome do conto que deu origem ao filme Total Recall (O Vingador do Futuro).

Há uma versão deste livro que foi publicada no Brasil com o nome de “Realidades Adaptadas”, pela Editora Aleph. Este livro compila diversos de seus contos que deram origem a vários filmes, como Scanners, O Pagamento e Minority Report, entre outros.

Harry Potter, é você?

Riff, o personagem de representa quem conduz o estudo do sono com as pessoas no filme, tem uma aparência quase exatamente igual a de Harry Potter. O formato e cor dos óculos, formato do rosto, penteado e até mesmo o modelo das roupas e cores das roupas condizem com o personagem. Temos uma teoria do porquê disso, mas vamos deixar para falar sobre mais para o final, na parte que tem spoilers.

O cartaz do Exterminador do Futuro

Podemos ver um pôster do Exterminador do Futuro no fundo da sala de controle do escritório onde os estudos são conduzidos.

A camiseta em referência a George Romero

Quando Sarah responde as perguntas durante os testes, ela veste uma camiseta escrito “George Romero Phys. ED.”, claramente em referência ao diretor criador do filme independente e idolatrado “A Noite dos Mortos Vivos”.

O professor que ministra o estudo

Aquele cara estranho, de óculos enormes, certamente tinha que significar alguma coisa. Em um filme canadense como esse, com toques de horror e ficção científica, certamente ele faz referência ao maestro do horror, David Cronenberg – que também é canadense.

Agora vamos falar sobre a história, as referências dentro disso, e o final

A partir daqui, o texto contém spoilers. Então, se não quiser saber informações chave, como o final genial da produção, pare por aqui e volte quando você acabar de assistir o filme Come True! 😉

Como é um filme baseado nos clássicos do Sci-Fi e horror, poderíamos prever que há algo intrincado do gênero ali. Mas, como qualquer grande obra do tipo, este filme surpreende absurdamente em seu final.

São nos segundos finais que tudo se amarra. E a nossa cabeça explode quando vemos a mensagem no celular de Sarah.

Ou seja, a realidade é que tudo ali se passava em um sonho. Na cabeça de uma pessoa que estava em coma há 20 anos. Mais especificamente, na cabeça de Sarah, que desde os 18 anos de idade sofreu um acidente e permanece em estado vegetativo em uma cama.

Podemos até supor que isso foi causado por um acidente de carro, levando em conta que nas cenas finais ela encontra seu celular em um desvio da estrada e dentro da floresta, após uma longa caminhada em sonhos.

Todos os sonhos dela durante o filme, portanto, eram sonhos dentro de sonhos.

E aí, tudo se explica. O fato de ela não conseguir ter contato com a sua mãe, representa a inabilidade dela de conseguir voltar para casa. Sua mente está longe, sua mente está em coma. Não torna possível nem atender ligações de sua mãe, tampouco ver ou falar com ela.

Ela está presa e não sabe.

Também explica toda a atmosfera de sonho que o filme todo se passa, quando somos embalados por músicas calmas, contagiantes, que por vezes até despertam certo “sono” em quem assiste.

A ambientação é tão perfeita que essa sensação atravessa a tela e atinge a gente em cheio. Especialmente quando perambulamos por sonhos e pesadelos. É a mesma sensação que temos quando dormimos. Sendo que o “sonho” seria a vida normal de Sarah, e os pesadelos as sequências em que a “sombra” aparece.

Isso explica também as muitas referências que o filme Come True traz. Todos os personagens, pôsteres, mensagens, exemplificam os elementos da cultura pop que Sarah Admirava. Os mestres do horror, os filmes, e até mesmo Harry Potter (que já era extremamente popular na época em que ela teria entrado em coma).

De fato, havia um experimento ocorrendo. Do lado de fora cientistas buscavam uma maneira de estabelecer contato com pessoas em coma. Essa era a razão que Riff citou em determinado momento.

O experimento, então, deu certo. A mensagem chegou em algum momento. E tudo faz sentido. No final das contas, a gente fica com aquela sensação de impacto. Pensando e interligando tudo o que vimos na última hora e meia, e compilando em uma história extremamente bem escrita.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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