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Como a meditação vipassana em presídios no Brasil rende bons resultados

A meditação vipassana ganhou cursos específicos para os presídios, e Complexo Penitenciário Público-Privado (CPPP), em Ribeirão das Neves (MG), foi a primeira prisão brasileira a experimentar a novidade.

Originária da Índia há mais de 2.500 anos, este método de meditação que significa  “enxergar as coisas como elas são“ é conhecido por fazer com que as pessoas atinjam o seu interior e se conheçam profundamente. Uma forma interessante de reflexão sobre seus atos, passado, presente e futuro. Além de proporcionar paz interior.

A prática consiste basicamente em passar 10 dias sem falar, em contato com o seu eu interior. Nada de carnes, excessos ou muita atividade. Apenas meditação e reflexão, sob orientação de professores do curso.

A rotina diária inclui horas de sono, alimentação, descanso, palestras e muitas sessões de meditação.

Um aspecto interessante da meditação vipassana é que não há ligação alguma com religiões, cultos, seitas. Trata-se apenas de uma prática de autoconhecimento – que trabalha a psicologia do próprio ser por meio da reflexão.

Para este projeto, foram selecionados 25 detentos em regime fechado. Uma área específica do presídio foi separada apenas para isso, e tanto os professores como o grupo de apoio e os presos viviam no mesmo espaço durante o curso.

Maxwel Gonçalves Pereira, 31, por exemplo, já passou por vários presídios e comenta sobre os resultados da atividade: “Eu continuo meditando todos os dias dentro da cela. Aprendi que os sofrimentos são causados pelo apego e que nada permanece como está. Eu estou preso agora, mas isso vai passar. Comecei a ter conforto para refletir, e isso traz calma”, conta.

Edgar Costa Teixeira, 27, preso há sete anos, conta: “Foi uma batalha o que a gente enfrentou lá, é difícil não poder conversar. Até o terceiro dia, a gente ficava cochichando um com o outro, mas, depois, começou a levar muito a sério e valeu a pena. Aprendi a lidar com as dificuldades que tenho e a controlar a ansiedade, a dor física. Foi bem legal”.

No vídeo abaixo, você pode conferir um pequeno documentário de como o projeto foi implementado, com comentários dos presos que participaram, o diretor do presídio e os ministrantes do curso. Vale a pena dar uma olhada.

A meditação vipassana no presídio

Há também outros projetos de meditação em presídios em funcionamento

Algumas penitenciárias do Brasil também abrigam outros projetos de meditação, como o do CIYMA (Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayureda) que mantém aulas de Yoga e Meditação na Febem (Internato Feminino) da Mooca, de São Paulo.

Voluntários da Ananda Marga (organização sócio-espiritual formada em 1955, na Índia) também ministraram cursos com prisioneiros portadores de AIDS no Carandiru, em São Paulo, e também no presídio de Ribeirão das Neves (MG).

No Rio Grande do Norte, o Projeto Mente Livre faz prática de Yoga e meditação em complexos prisionais.

 

Com informações de: CECPVirtualHuffpost

Créditos das Fotos: Geraldo Lara

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Sociedade
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