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A melodia que está em quase toda trilha sonora de filmes e você nem percebeu

Melodia inspirada nos cânticos gregorianos do século 13 tem sido usada na sétima arte para criar clima de tensão e terror

A melodia que está em quase toda trilha sonora de filmes e você nem percebeu

A trilha sonora de filmes é fundamental para adicionar emoções às narrativas, sejam elas de tensão, drama ou êxtase. Dies Irae é uma melodia particular que é utilizada no cinema desde os filmes mudos para criar o clima de terror e perigo.

Há 800 anos, 4 notas musicais têm sido associadas à morte, e elas se chamam Dies Irae, um cântico gregoriano criado pelos monges católicos por volta do século 13, muito presente nos funerais.

Traduzida do latim, ela significa “Dia da Ira”, uma data que os católicos acreditam que Deus vai julgar os vivos e os mortos, e é decidido se eles vão para o inferno ou paraíso eterno, como explica o musicologista Alex Ludwig para a Vox.

A melodia que está em quase toda trilha sonora de filmes e você nem percebeu
Melodia inspirada nos cânticos gregorianos do século 13 tem sido usada na trilha sonora de filmes para criar atmosfera sombria

Assim como muitos elementos da igreja católica influenciaram a cultura fora da igreja, a melodia foi usada ao longo da história por músicos clássicos e é até hoje utilizada no cinema.

Exemplos disso são a “Symphonie Fantastique”, de 1830, do compositor francês Louis-Hector Berlioz, que conta a história de amor obsessivo e o pesadelo do sabbath de uma bruxa. Ou a sinfonia “Requiem”, de Mozart, composta em 1971, influenciada pelas músicas de funerais.

O Dies Irae permeia na sétima arte desde o cinema mudo, quando as produções eram acompanhadas por orquestras que conduziam as emoções do filme. O mais antigo que pode ser citado é Metropolis, onde a melodia aparece na partitura escrita por Gottfried Huppertz, em 1927, para o filme de Fritz Lang.

Mais tarde, ela apareceu em diferentes versões nos filmes: A Felicidade Não Se Compra, Harry Potter e a Câmara Secreta, O Rei Leão, Laranja Mecânica, Star Wars: Episódio IV, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, no tema de O Exorcista e até em O Estranho Mundo de Jack. Sendo a mais icônica delas em O Iluminado.

Esses são apenas alguns dos filmes que o musicologista Alex Ludwig reuniu em uma longa lista, que ainda cresce. E ele também revela porque as quatro notas de Dies Irae soam tão desconfortáveis aos ouvidos, causando a sensação de temor.

A resposta está em uma combinação entre tons menores, notas separadas por meio tom e ordem descendente nas linhas musicais.

“Nossos ouvidos não estão treinados para gostar de ouvir esses sons juntos”, explica.

As notas que descem nas linhas musicais atingem sons mais “profundos” progressivamente. “Notas musicais que descem são tristes, enquanto as que sobem são mais felizes” diz.

O tom também muda completamente o campo harmônico: as notas em tons menores evocam tristeza ou são mais sombrias.

Quando você sentir a sensação de tensão ou terror ao assistir algum filme, lembre-se da melodia Dies Irae, porque segundo Alex, ela está em todo lugar, nossos ouvidos apenas não estão treinados para ouvi-la.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.